A Prefeitura de Chapecó divulgou ontem, 03/09/2026, um dado que merece ser comemorado. O Município alcançou a terceira maior taxa de investimento público do Brasil no Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), avançando 15 posições em relação ao levantamento anterior.
Segundo as informações divulgadas, Chapecó investe 20% de sua receita corrente líquida. Somente em 2025, foram R$ 380 milhões destinados a obras. São números que ajudam a explicar aquilo que o cidadão percebe ao circular pela cidade: investimentos em infraestrutura, educação, saúde e em diferentes áreas que acompanham o crescimento de Chapecó.
Para o SINAFIC, esse resultado também representa uma oportunidade de retomar um tema que a entidade tem procurado trazer ao debate: para que o Município possa investir, é preciso que existam recursos disponíveis para isso.
No ano passado, no artigo “A transformação começa na arrecadação”, publicado pelo SINAFIC, uma frase procurou sintetizar essa relação e continua atual: nenhuma obra começa do chão. Todas começam na arrecadação.
O resultado agora divulgado pela Prefeitura ajuda a tornar concreta essa relação.
Arrecadar bem não é cobrar mais
Quando se fala em arrecadação, é comum que o assunto seja imediatamente associado ao aumento de impostos. Não é disso que estamos falando.
Uma Administração Tributária eficiente deve trabalhar para que cada contribuinte recolha aquilo que efetivamente deve, nem mais, nem menos. Isso envolve orientação, análise, fiscalização, inteligência fiscal, atualização cadastral, cobrança e combate à sonegação.
Há também uma questão de justiça. Quando alguns deixam de cumprir corretamente suas obrigações, o problema não é apenas a perda de receita pública. Há uma concorrência desleal com aqueles empresários e cidadãos que cumprem a legislação e recolhem seus tributos regularmente.
Chapecó possui uma economia forte, diversificada e dinâmica. Isso é uma enorme vantagem para o Município. Mas atividade econômica, por si só, não se transforma automaticamente em receita pública.
É nesse ponto que se encontra uma parte do trabalho, muitas vezes pouco visível, dos Auditores e Fiscais de Tributos Municipais. Cabe à Administração Tributária transformar o potencial de arrecadação existente na economia em receita efetivamente disponível para que a gestão municipal possa executar suas políticas públicas.
Um resultado construído por muitas mãos
Seria equivocado atribuir a posição alcançada por Chapecó a um único setor da Administração. O desenvolvimento de uma cidade é resultado de uma engrenagem muito maior.
A atividade econômica gera riqueza. A Administração Tributária atua para que os tributos devidos sejam corretamente recolhidos. A gestão municipal administra os recursos, estabelece prioridades e realiza escolhas. Servidores das mais diversas áreas transformam orçamento em escolas, unidades de saúde, ruas, equipamentos e serviços públicos. E esses investimentos, por sua vez, ajudam a criar melhores condições para que a cidade continue crescendo.
É um ciclo.
Por isso, ao mesmo tempo em que o SINAFIC parabeniza a Administração Municipal pelo resultado alcançado e pela elevada parcela da receita destinada aos investimentos, é importante lembrar que uma Administração Tributária estruturada, qualificada e valorizada faz parte desse processo.
Não se trata de reivindicar para Auditores e Fiscais o mérito por aquilo que é resultado do trabalho de muitas pessoas. Trata-se apenas de reconhecer um elo que, embora normalmente não apareça na fotografia de uma obra inaugurada, é indispensável para que ela possa existir.
O próximo desafio já começou
Há, contudo, uma razão adicional para discutir esse assunto justamente agora.
A Reforma Tributária está mudando profundamente a forma como o consumo é tributado no Brasil. Com a implantação do IBS, a lógica de atuação das Administrações Tributárias Municipais também começa a mudar.
Durante muitos anos, quando se falava na fiscalização tributária de um Município, o olhar estava naturalmente direcionado às atividades econômicas realizadas em seu território e aos contribuintes nele estabelecidos. No novo sistema, essa fronteira será muito mais ampla.
O princípio do destino fará com que a receita do IBS acompanhe o local onde ocorre o consumo. Isso significa que a atuação dos Auditores e Fiscais Municipais passa a ter uma dimensão que ultrapassa os limites geográficos de Chapecó. Operações realizadas por contribuintes localizados em outros Municípios, em outros Estados e, em determinadas situações, até mesmo fora do País poderão repercutir na receita pertencente ao nosso Município.
Se até aqui uma Administração Tributária eficiente já era importante para garantir recursos próprios, no novo sistema essa capacidade técnica será ainda mais estratégica.
A pergunta que precisa ser feita, portanto, não é apenas como Chapecó chegou à terceira maior taxa de investimento público do País. É preciso pensar também em como manter essa capacidade de investimento nas próximas décadas, diante de um sistema tributário completamente novo.
A receita também faz parte do desenvolvimento
A posição alcançada por Chapecó deve ser motivo de orgulho. Uma cidade que consegue transformar parcela significativa de sua receita em investimentos demonstra capacidade de planejamento e cria condições para continuar se desenvolvendo.
Aos Auditores e Fiscais cabe continuar desempenhando seu papel nessa engrenagem.
A população talvez não veja o lançamento tributário quando uma escola é inaugurada. Não veja uma fiscalização quando uma rua é pavimentada. Não veja o trabalho de inteligência fiscal quando uma unidade de saúde começa a atender. E não precisa ver.
Mas é importante compreender que existe uma relação entre essas coisas.
Uma cidade economicamente forte precisa de uma Administração Tributária igualmente forte para transformar parte dessa riqueza em recursos públicos. E precisa de uma gestão capaz de transformar esses recursos em benefícios para a população.
É assim que a arrecadação se transforma em investimento. E é assim que o investimento ajuda a construir o desenvolvimento de Chapecó.
Jonas Capre Gonçalves – Presidente do Sindicato dos Fiscais e Auditores de Tributos de Chapecó – Sinafic.


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